
Razão de ser. Razão de existir. Razão de possível convivência humana.", Francisco Providência
Naquele final de dia intenso, ao percorrer o asfalto no regresso a casa, recordei a resignação do casal de desempregados: o encolher de ombros dele, a voz sumida dela: “Aqui não há nada, Dr. . Temos de ir lá para fora. Por cá ficam os filhos e os meus pais”.
Esta é a face real de uma crise profunda que ameaça os alicerces da nossa comunidade.
O desemprego, nos moldes actuais, limita as opções, ensombra o futuro, contribui para a fragilidade da saúde familiar e pessoal.
Muitos levantam a bandeira do empreendedorismo, outros exigem provas científicas irrefutáveis que provem o impacto negativo da ausência de trabalho.
Mas se há algo que aprendi nos últimos anos é que o gabinete do médico de família é muito mais do que um espaço para indicadores e evidência.
A cada encontro entre médico e utente há uma janela que se abre.
E estes vislumbres podem mostrar uma realidade ampla de esperança ou um abismo incontornável.
Ainda que a espuma noticiosa insista na avalanche dos números, o decantar da história escrita pelas gerações futuras apontará culpados entre silêncios e fervores.
O médico de família fiel aos princípios hipocráticos estará sempre do lado dos mais frágeis.
Luís Monteiro, Médico de Família












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