
No dia em que se decide ser médico não se imagina os momentos que esta atividade profissional trará à nossa vida.
No horário de trabalho, temos que ter sempre um sorriso para dar; em família, todos esperam de nós soluções para problemas maiores ou menores, diagnósticos por telefone e receitas à distância de um clique.
Quantas vezes sentimos que deixamos de ser nós para passarmos a viver para os outros, dentro e fora das quatro paredes.
Viver para cuidar dos outros exige muito de nós: não só do conhecimento, mas também do coração. Um coração que também sente a dor de quem está à nossa frente e que vibra de alegria a cada vitória.
Em cada momento, queremos dar tudo, fazer tudo, ajudar em tudo, tratar tudo e nem sempre o tudo é possível. Mas é também nesses momentos em que o tudo parece (ou é mesmo!) impossível que os verdadeiros médicos se revelam:
aqueles que dão a cara e parte do seu tempo,
aqueles que assumem a incapacidade
aqueles que reconhecem que a ajuda é necessária e procuram por ela
aqueles que não escondem as suas próprias emoções e não se tornam autênticos cubos de gelo
para se protegerem.
E, à medida que os anos passam, muitos de nós perdem algumas destas características de verdadeiros médicos. Tornam-se frios, distantes, com uma linguagem cada vez menos compreensível por quem os ouve, menos importados com a pessoa,... menos ligamos.
Que isso não nos aconteça. Que mantenhamos a capacidade de amar, cuidar, ouvir, esclarecer e até de chorar quando tiver de ser. Que nunca deixemos de lutar pelo melhor caminho, nem ignoremos o que a nossa cabeça ou o nosso coração nos dizem para fazer.
Médico não é só o que prescreve, mas o que explica; não é só o que trata, mas o que cuida; não é só o que aconselha, mas o que ouve.
Isto os livros não nos ensinam, mas a vida vai-nos dando oportunidades para o aperfeiçoarmos.
Por Maria João Xará













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